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POESIA REGIONAL

 

Camaquã: Terra de Poesia

 (por Leandro Terres Martins)

 

O homem que cavalga longamente por terrenos selvagens sente o desejo de uma cidade. E uma cidade não é apenas construída por seus prédios, suas ruas, seus muros e seu povo; mas também por sua poesia.

 

A Camaquã poética começa com uma mulher de grande valor, que transcendeu os portões da cidade. Seu nome era Anna Patrícia Vieira Rodrigues César. Nascida no ano de 1864, na Fazenda Santa Rita, em suas andanças pelo Brasil foi a fundadora de várias academias feministas. Como em Manaus e Recife. Pode ser considerada uma das primeiras feministas do país. O jornal A Pátria, onde ela escrevia, fez um plebiscito perguntando qual a mulher que deveria ingressar na Constituinte e ela venceu. Sendo também a Patronesse da cadeira 31 da Academia Feminina do Rio Grande do Sul. Morreu no Rio de janeiro, em 1942. Ana César colaborou para diversos jornais, entre eles: O Globo, A Noite, O Rei da Manhã e Camaquam. E dirigiu as revistas Tribuna Feminina, Vida Social e Democracia. Entre sua obra encontramos os livros em prosa, Fragmentos (1931) e Farroupilhas (1935). Sua obra poética está em Folhas Soltas, Rosas Desfolhadas e Cromos:

 

A mulher e a imprensa conduziram a humanidade, ampliando, iluminando os seus destinos. Em países onde a missão desses dois poderosos fatores é fielmente cumprida e exercida, a nacionalidade cresce e se avigora no caráter, na justiça e no dever. A Vida é um grande livro com páginas caprichosas, nas quais o destino traça os seus desígnios em várias tintas.

 

 

A saga poética de Camaquã segue nos anos 70 com a presença de Laury Farias dos Santos, poeta e declamador tradicionalista. Nascido em 08 de março de 1930 foi um dos fundadores da Estância da Poesia Crioula. Representou a cidade durante muitos anos em Congressos Tradicionalistas por todo o estado. Seus poemas eram publicados em jornais como o Correio do Povo e nas antologias da entidade da qual fazia parte. Faleceu em 22 de maio de 1974. No ano de 2001 sua obra foi resgatada no livro póstumo, Versos Crioulos.

O precursor da poesia modernista camaqüense é Evandro Gomes, nascido em 11 de agosto de 1958, filho de Ederaldo de Souza Gomes, fundador da farmácia mais antiga da cidade. Evandro, em 1979, publica o livro poético Cacos & Insetos.

 

                                                  Reticenciamento

Quanto mais eu me concluo

Muito mais eu me improviso.

Resgato-me do dia de ontem E adio-me para outro século

E por lá invento meu próprio tempo

Num eterno reticenciamento de vida e solidão.”

 

 

Atravessando os já idos anos 80, a poesia nativista teve seu destaque com dois grandes nomes da sociedade camaqüense: Bernardo Linck, com Eu sou o Rio Grande do Sul e Adroaldo Fernandes Claro, com Três Chamas e Transformações da Querência . Adroaldo é o atual Patrono de gestão da Capocam.

Em 1987, Álvaro Santestevan pública O Poder do Sótão & Cinco Poemas Amarelos. O idealizador da Casa do Poeta Camaqüense é natural de Encruzilhada do Sul onde nasceu no dia 05 de novembro de 1960, mas radicado em Camaquã desde 1968, o poeta é licenciado em Letras pela Fundasul e tem se dedicado a serviço da educação e da cultura durante vários anos. Em suas obras ainda consta o livro Poema é uma Criança Desobediente lançado no ano de 2006.

 

Só o poema

O que somos sem o outro

o que pensar sem o pensamento alheio

não posso ser nada sem ser tudo

ninguém é inteiramente só

a solidão é uma falácia

somente o poema é que fabrica isolamento.

 

 

No ano de 1989, ano em que completaria seus 125 anos, a cidade de Camaquã, pelas mãos de alguns, visionários recebe no dia 31 de março a sua Casa do Poeta Camaqüense, a Capocam. E em julho do mesmo ano já tem na obra de Catulo Fernandes, Viagem ao Fundo do Verso, a primeira publicação em suas saias poéticas. Catulo Fernandes nasceu em 08 de março de 1964 na Vila São Carlos. De suas palavras: “Minha única faculdade na vida foi a dificuldade vívida.” Podemos orgulhar-nos de encontrar aí um grande combatente das letras e da poesia, que em seu currículo cultural já ostenta ter sido Patrono da Feira do Livro de Camaquã em 2004, Patrono da Feira do Livro de Cristal em 2007, ser atual colunista do jornal Gazeta Regional, entre outras atividades no meio cultural. Ainda de sua autoria encontramos as obras: Escorado no Bar Cão (1991) A Bruxa Gorducha e a Vassoura Magricela (2005, literatura infantil) e em parceria com João Maximo Lopes: Camaquã, Terra Farroupilha. (2007)

 

       Verso subversivo

Nasci em março de 64

Família pobre e de respeito

Ai, ai...5 anos de idade

Em 1969 perdi meu olho direito

Ali naquele instante

Menino inocente

De visão esquerdista

Descobri que os comunistas

Não comiam criancinhas.

 

 

Na saga poética camaqüense há muitos nomes ainda a contar, mas seria injusto a todos aqui aportar, pois entre muitos nomes conhecidos há por certo alguns de não se encontrar. Mas de dois nomes ainda quero lembrar. No ano de 1991 com a obra Título: Mulher, surge a poeta Inês Ramos Crespo que também muito se destaca em suas atividades, pela educação e cultural de nossa cidade. Atualmente exerce, entre tantas atividades, a presidência da Fundação Barbosa Lessa. Autora também de Rosa de Sal, em 2006.

 

Gosto do querer tão manso

Com ânsia de terra quente

Do aconchego de menino

No teu corpo de descanso

 

 

Encontramos entre nossos poetas o amigo, que muito orgulho e estima dá em nosso meio, ‘o vovô dos poetas’ Onélio Lopes Chagas que artesanalmente publicou a obra Terapias da Vida, e em 2005 o Terapias da Vida II. Exemplo de que a poética em Camaquã não tem fronteiras, pois anda de mãos dadas poetas com  todas as idades. Como último feito desta tão onírica cidade poética, encontramos o Eclipses & Elipses, com o versejar dos jovens poetas Anderson Borba, Alceu Amaral, Leandro Martins e do amigo Carlos Eduardo, paulista, mas que deixou sua marca na poética desta terra de ruas, muros, prédios, gentes, mas também de sonhos e poesias.

 

Acesse o blog de Leandro: http://lcambara.blogspot.com

 

 

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