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ENTREVISTA

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MONTEIRO LOBATO ERA RACISTA?

     A polêmica em torno do suposto racismo de Monteiro Lobato, levantada no ano passado após o Conselho Nacional de Educação recomendar a inclusão de notas explicativas no livro Caçadas de Pedrinho, ganhou novo fôlego com a publicação de cartas inéditas do escritor na última edição da Revista Bravo!. Nelas, são revelados o pouco apreço do autor de Urupês por "mestiços" e sua simpatia pela Ku-Klux-Klan, sociedade secreta norte-americana que defende a supremacia branca. Em algumas cartas, Lobato também se mostrava favorável à eugenia, estudo fundamentado na ideia de aprimoramento da espécie humana a partir da genética, que serviu de base para o nazismo e os argumentos sobre a pretensa superioridade da raça ariana.

     Um dos autores da biografia Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia,o historiador Vladimir Sacchetta relativiza a identificação do criador de Emília com a eugenia e chama de "extemporânea" e de "bobagem" as acusações de racismo endereçadas ao escritor.

- No livro (Caçadas de Pedrinho), eles caçam e matam uma onça pintada. Hoje seria um crime ambiental. Naquele momento não era. O mesmo acontece com as expressões usadas pela Emília. Se ela chama a Tia Nastácia de "negra beiçuda" ou "negra de estimação", isso não significa que ela está com uma atitude racista - afirma o biógrafo, admitindo, entretanto, que a "a defesa da Ku Klux Klan é indefensável".

 
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