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PORTUGUÊS E POESIA

 

 

Chico Buarque e o duplo em Budapeste

 

v    Diego Santos Fehlberg

Podemos dizer que Budapeste é um romance do duplo, tema clássico na literatura ocidental, que se dá através do enigma da identidade do sujeito e faz parte principalmente das narrativas do século XIX. É um romance que pode ser analisado desde o inicio desta forma, pois mesmo sua capa e contracapa representam o reflexo de um espelho, símbolo comum e constante no duplo.

José Wisnik nos diz que na criação literária, o escritor é o duplo de si mesmo, por excelência e por definição, aquele que se inventa como outro e que escreve, por outro, a própria obra. Literatura é uma alteração da identidade.

Pensando sob este aspecto temos vários elementos que se relacionam ao tema do duplo neste romance, José Costa e Zsoze Kósta, Buda e Pest, uma cidade dupla em nome e por ser a união de duas cidades, as cavernas tão bem estruturadas guardando inclusive hospitais que serviam de abrigo de guerra (que não chegam a aparecer no livro), a própria profissão do personagem principal da obra que vive de escrever por outras pessoas assumindo momentaneamente seus papéis, uma espécie de ghost-writer, que narra sua própria história enquanto escreve outra.

José Costa, ou Zsoze Kósta, abandona a sua vida no Rio e acaba se exilando na Hungria, onde aprende o difícil idioma, envolve-se com outra mulher, passa a viver entre as duas cidades e reencontra, como num espelho os temas de sua vida: no Rio, Vanda, uma jornalista, em Budapeste, Kriska, e suas palavras nunca inteiramente reveladas, nas duas cidades dois rebeldes, Joaquinzinho, seu filho com Vanda, e Pisti, filho de Kriska, enfim diversos elementos que podem ser vinculados ao duplo.

 

Chico Buarque construiu inusitadamente uma variação, sobre o escritor e seu duplo, sobre fama e anonimato, e ao mesmo tempo em que age desta forma constrói um enredo com uma série de devaneios que obtém licença por se tratar de um romance e não da vida real, pois se pensarmos em um escritor que passa quatro meses em um hotel de outro país sem preocupar-se com suas despesas domésticas no Rio de Janeiro e seu filho, e que depois passa cem dias em um hotel no Rio de Janeiro sem dinheiro para depois ser cobrado poderíamos deixar de observar as questões que de fato engrandecem esta obra.

Podemos, portanto (dentre algumas outras hipóteses) pensar Budapeste como reflexão a respeito da escrita literária, sobre o papel da literatura e o papel do literato, sobre tudo sobre o papel do escritor e das palavras, pois quem escreve é sempre outro no lugar de outro. Uma espécie de duplo incontrolável que ocorre em toda literatura. A literatura como reflexo e sombra do escritor. Os personagens tiram proveito e se exibem à custa de quem escreve, e vice-versa, por que o autor escreve pelo personagem que se exibe.

 

 

Poema do pensamento

Mas eu que faço versos;

faço-os como quem chora,

como quem se enamora

e se joga ao vento...

 

Quem se perde no tempo,

não está mais aqui.

Pois já se perdeu,

quem não pode sorrir...

 

Não critiques meus versos;

Eles não são seus.

Você já se perdeu...

Não julgue os versos meus!

 

Mais um sopro do vento

para quem sofre no alento,

quem reabre a ferida,

está sempre de partida.

 

Mas eu me jogo ao vento

e faço versos!

Como quem se enamora.

Como quem chora!

 

 

 

Antropologia

 

De todas as coisas alegres...

Eu fico com as tristes...

De todas as coisas boas...

Eu fico com as ruins...

De tudo aquilo que me absolve...

Eu fico com o que me condena...

De tudo aquilo que mantém vivo...

Eu fico com aquilo que mata...

Não gosto da beleza.

E nasci pra ser complicado

Sou o dono das incertezas

“Inquilino” do mundo...

e vou acabar no fundo

no fundo do poço

vou esconder o meu rosto

e não haverá nenhum engano,

não sou o Supra-Sumo.

                                                       Eu sou um ser Humano...

 

 

                                                         OPOSTO A GOSTO

                                                                     João oposto!

                                                                Maria sem rosto

                                                                 "Zé sem posto"

                                                                 Mês de agosto.

                                                                 Vida, desgosto.

                                                            Político indisposto

                                                             Português aposto.

                                                             Feijão sem gosto.

 

 

Diego Santos Fehlberg é formado em Letras pela Faculdade de Formação de Professores e Especialistas de Educação - FAFOPEE - e é pós-graduando em literatura brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS -.

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