CRÔNICA
Um homem que educava pelo exemplo
por Rosângela Florczak - jornalista

Morreu um homem bom. Educador de qualidade, daqueles eruditos que dominam as mais diversas ciências, línguas e saberes, mas, além do conhecimento, possuem a sabedoria de ensinar com simplicidade, a quem quiser aprender. Firmino Biazus, 75 anos, irmão marista, diretor do Rosário há 13 anos, uma vida dedicada à educação de jovens, crianças e adultos. Dedicada também à bondade e à generosidade. De alma sensível e coração comovido, não suportava a injustiça, sofria com as desigualdades e chorava, sem disfarçar, diante das belezas e manifestações de vida.
Viveu e morreu discretamente e sem alarde. Apesar da sabedoria invejável expressa nas crônicas, artigos e textos em geral que construía com a habilidade de um grande escritor, a modéstia o tornava tímido para defender verbalmente as ideias que, segundo ele, nunca estavam prontas e sempre podiam ser melhoradas. Admirado pelas crianças e jovens das escolas pelas quais passou como professor ou diretor, sempre se julgava em débito de atenção com estudantes e famílias que atendia pacientemente em qualquer época do ano.
Sem férias, por opção, e com lazer restrito às longas caminhadas que fazia pelas ruas da cidade, segundo ele, para admirar as belezas de Porto Alegre, podia ser encontrado sempre no colégio. O que incluía os sábados, dias de expediente normal para ele. O gabinete, sempre de portas abertas, era lugar de ouvir, ouvir e ouvir a todos para partilhar alegrias, novidades, notícias, lamentos, desabafos, negociações e despedidas. Nem mesmo a mais difícil das conversas ele evitava. O tom de voz inalterado e o vocabulário elegante não deixavam escapar a contrariedade que só era percebida pelos mais chegados, que liam em alguns movimentos do seu rosto eventuais insatisfações com o rumo do diálogo.
Próximo de completar 76 anos, não se intimidava diante da tecnologia. Comunicadores instantâneos, serviço de e-mails e, ultimamente, até algumas aventuras pela rede social o mantinham absolutamente sintonizado com os recursos de comunicação oferecidos pelo nosso tempo. Mas, nunca, nada substituiu a leitura sistemática de bons livros, a conversa franca olho no olho, um telefonema, ou ainda, a alegria de um abraço e uma bênção pronunciada na chegada e na saída de um ambiente.
A sua morte comove a todos os que o conheceram. Milhares de estudantes que tiveram o privilégio de usufruir de suas aulas; alunos e famílias que com ele conviveram como diretor de colégios maristas; funcionários e professores que a ele prestavam contas de seus trabalhos, irmãos maristas, familiares e comunidade. Discreto como sempre viveu, assim escolheu morrer. A doença surpreendentemente rápida, que pela primeira vez, em 13 anos, fez com que ele faltasse ao trabalho no colégio, o manteve alguns dias no hospital, tempo suficiente para que os amigos se despedissem, e o levou. Morreu um homem bom. Morreu um educador brilhante. Duas qualidades cada vez mais raras. Ficam como legado os melhores exemplos de alguém que soube dar sentido à vida.
Fonte: ZERO HORA online
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