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CRÔNICA

 

Alma galponeira e peregrina

por Gérson Schmidt - padre e jornalista

Do fogo de chão havia apenas as cinzas. A água da chaleira ora não chia mais. O mate está agora bem lavado. Levanta-se novamente o acampamento farrapo e a vida cotidiana volta ao normal. A pilcha, a guaiaca e a bota são escanteadas, para serem retomadas tão-somente no próximo ano, por ocasião das mesmas comemorações farroupilhas.

Por alguns dias, o homem citadino havia relembrado nostalgicamente as lidas do pampa, os arquétipos campesinos, as tradições da querência amada e agora distante, em sua alma genuinamente galponeira. Nesses próximos dias, voltará aos trajes sociais de executivo, próprios da cotidianidade. O cavalo será substituído pelo carro. Os arreios, pelos materiais de escritório usuais. O galpão, pela casa costumeira.

Permanecerá com o chimarrão no dia-a-dia, assegurando os costumes de quem nasceu na Província de São Pedro.

Não há dúvida de que todos nós, gaúchos ou não, sentimos uma grande vontade de retornar às origens, ao primitivo, ao natural, ao berço do chão que nos deu a vida. Estamos cansados do artificial sem tom, do robótico sem vida, do mecânico sem alma. Paredes, ornamentações, ambientes, na pós-modernidade, são decorados com o rústico, o rudimentar, resgatando o antigo, celebrando a volta daquilo que já foi e que era bom. O grotesco agora passa a ser atual. É o paradoxo do arcaico que se torna moda e vira chique.

Trazemos essa profunda saudade de nossa infância, daquela pureza de criança, quando nossos problemas e preocupações não eram percebidos como acentuados. Fazemos de tudo para reconquistar o tempo, pretendendo retomar as lembranças de um passado que não move mais moinhos, mas que está marcadamente selado em nosso inconsciente. Cada um de nós possui uma sede insaciável de perpetuar os momentos que já se foram, e que, afugentados pelo cronômetro, o tempo não conseguiu acorrentar. Prisioneiros do passado, somos eternos insatisfeitos com o presente.

Todo vivente, bagual ou não, tem o sonho de um lugar especial, de um rancho lindo e perfeito, de um recanto paradisíaco. Cada qual, como compôs Roberta Miranda, gostaria de voltar a um lugar todinho seu, querendo uma rede preguiçosa pra deitar, envolvido numa sinfonia de pardais. Há um saudosismo impregnado dentro de nós. Somos todos eternos conquistadores de um chão que não é nosso, apesar do grito guarani de que esta terra tivesse dono. Parecemos todos estrangeiros, sedentos de uma paz inquieta que tende a não chegar, apesar de habitarmos num solo que pensamos ser da gente. É por isso que armamos e levantamos acampamentos tão facilmente. Não temos moradia fixa, pois no ventre dessa temporalidade passageira carregamos uma ânsia de eternidade. Nosso cavalo está sempre encilhado. Somos desbravadores itinerantes. É o desejo do infinito que queremos apalpar e manipular.

É o nosso coração fabricado pelo Eterno, incansável enquanto não repousar plenamente em Deus.

(fonte: Zero Hora)
 
 
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