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CRÔNICA

 

 

Os casamentos na Praça dos Livros

 

por Abrão Slavutzky - Psicanalista

 

 

A leitura é uma aventura dos curiosos em busca do prazer. A curiosidade de conhecer levou o homem à arte, à ciência, a viajar e também a ler um jornal. O leitor passa os olhos aqui e ali para encontrar algo interessante, e foi o que ocorreu comigo num dia ao encontrar uma crônica do Sérgio Faraco: nela, escreveu que fora ao cemitério fazer uma homenagem póstuma ao amigo, escritor como ele, e de repente escutou o canto de uma saracura. Ao ler, imaginei o canto que interrompeu o silêncio triste naquele dia quente. Lendo, cheguei a escutar o canto do pássaro, e como até na última pousada do homem irrompe a vitalidade musical da natureza, que a arte transformou em palavras.

A leitura é um vício, disse Franz Kafka a um jovem amigo durante uma caminhada por Praga. Explicou como as pessoas comuns começam o passeio bebendo um copo de vinho, “mas nós, em matéria de embriaguez, temos hábitos menos modestos, precisamos de drogas mais complexas, vamos à livraria”. Uns 10 anos após essa boa conversa, ocorreu em Berlim o impensável: os livros foram considerados uma ameaça ao nazismo e condenados à morte numa fogueira na Praça da Ópera. Era dia 10 de maio de 1933, à noite, quando Goebbels discursou diante de uma massa entusiasmada, que viu queimar a obra de Marx, Gorki, Freud, Kafka e muitos mais. Foram destruídas 900 toneladas de literatura, ciência e arte em dois dias. Houve novas fogueiras de obras em 22 cidades universitárias alemãs. Mas os livros resistiram a este e a outros ataques dos autoritários ao longo da História e hoje ganham novos espaços com os meios eletrônicos e novas idéias como a bibliojegue.

No Maranhão, um jegue carregado de livros percorre os povoados e em cada um pára debaixo de uma árvore frondosa. As crianças e os adolescentes se aproximam, sentam em roda, pegam um livro e ouvem um contador de histórias. Uma professora relatou emocionada como as mulheres analfabetas ficaram com os olhos cheios de lágrimas ao ouvirem, pela primeira vez, uma poesia. Imagino que um dia o Brasil não terá só bibliojegue, mas também bibliotecas nos bairros, que tanta falta fazem. Os livros enriquecem a imaginação, o dom mais alto do homem, alimentam o espírito, e geram prazeres.

Os escritores, de todos os tempos, com seus personagens e leitores, estarão presentes na Feira do Livro. E na praça irá ocorrer mais uma vez o casamento entre os livros com os ipês, as paineiras e os jacarandás. A primavera une a cultura e a natureza, a praça com o povo, numa feira sem frutas nem verduras, mas com árvores leitoras e leitores felizes. Porto Alegre fica mais alegre ao unir os amantes da realidade e da ficção que mantêm a fé na palavra escrita, e como é bom caminhar vendo crianças e jovens em busca do conhecimento, estimulados por pais e professores. Imperdível é a feira de livros infantis, do outro lado do muro. E, por fim, ter a sorte de encontrar um velho conhecido ou uma amiga querida para uma boa prosa.

 

 

(fonte: jornal Zero Hora)

 

 

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