38792  ACESSOS

CRÔNICA

    

TIVE UMA IDÉIA!

(Martha Medeiros)

     Se você escutar alguém dizendo que teve uma idéia, pare tudo e ouça com atenção, mesmo que você suspeite que vá ouvir bobagem. Não importa. O que interessa é que você está diante de alguém que tem esperança, que leva fé em si mesmo, que acredita em alguma coisa. Não vale artista. Artistas têm idéias por dever de ofício, por hábito vocacional, porque nasceram para ter idéias. E o resto da população espera as que chegam prontas, as industrializadas, produzidas em série e divulgadas em revistas. Idéias para decorar seu lar com pouco dinheiro, idéias para renovar seu visual em 10 minutos, idéias para fazer um jantar de última hora apenas com o que você tem na geladeira.

     Não. Estou falando sobre outro tipo de gente: daqueles raros que têm uma idéia que pode mudar uma vida. Uma idéia como a que teve Beto, protagonista do filme O Banheiro do Papa, que vivia miseravelmente num povoadinho esquecido por Deus e que, na iminência da visita do representante maior do dito-cujo, pensou: vou dar outro final para minha história. Teve uma idéia! Qual seja: muitos peregrinos viriam ver o Papa de perto, iriam passar o dia pelas ruas da cidadezinha, iriam rezar, comer, beber, e depois? Onde iriam fazer suas necessidades? Eureca! Beto resolveu construir um banheiro público, ali, na frente da sua casa, e num único dia ganharia dinheiro suficiente para pavimentar o pátio, para pagar a conta atrasada de luz, para comprar uma moto e para mandar a filha estudar na capital.

     Nós, na platéia, assistimos a tudo isso com o coração na mão, porque estamos diante de um sonhador, de um idealista, de um cara que cometeu a doidice de acreditar numa idéia sem antes encomendar uma pesquisa de opinião, fazer um planejamento estratégico, buscar um patrocinador e contratar um marqueteiro, que é como as idéias se viabilizam hoje. Beto apenas teve a sua original idéia e colocou o plano em prática, sozinho, como se esperança bastasse para fazer as coisas darem certo.

     Deveria bastar. Mas, infelizmente, aqui na terra dos céticos, nada é garantido, tudo é risco. E é isso que nos comove no entusiasmo de Beto. Ele acha que não há risco e que não está sendo sonhador, ele tem uma convicção interna que é inquestionável: dará certo porque ele vai fazer dar certo. Alguém segura um sujeito desses?

     Melhor perguntando: alguém conhece um sujeito desses?

     Fazem falta os Betos, esses que têm idéias que ora parecem malandras, ora parecem ingênuas, mas que são levadas adiante com tanta garra, que não nos deixam outra saída a não ser torcer por eles, pois fazendo isso estamos torcendo também por nós e pela humanidade, que anda tão carente de otimismo.

(fonte: Zero Hora)

 

 

Dentro de um abraço, de Martha Medeiros
Espelho mágico
Ele é mesmo imortal
Pastelzinho de amanhã
Tribo nossa de cada idade
Viagem intergaláctica
Quindim e merengue
Cria Atividade
A tristeza permitia de Martha Medeiros
Tratado sobre a paixão literária
O bate-estaca do Chevettão 75
Francamente, senhor Wilde
Tragédias anunciadas
Brincando de Blog
Coitadinhos dos nossos ouvidos
O amor deixa muito a desejar, por Jabor
Garota de Subúrbio
Tiririca da vida?
Para se roubar um coração
Saudade nenhuma de mim
O futebol e os brasileiros
Por uma vida sustentável
Alunos apáticos, escola idem.
Os desafios da biblioteca na nova escola
35 Anos para Ser Feliz
Complexo de Guaipeca, por Carpinejar
A falta que ela me faz
Lya Luft e o ano de pensar
A elegância do comportamento
Um homem que educava pelo exemplo
Antes que a Feira do Livro desapareça!
A Última Crônica
Uma homenagem aos professores
Dos oito aos oitenta
Mais uma de Arnaldo Jabor
Curiosidades sobre o Rio Grande do Sul
Algumas piadas para adoçar a vida!
Exigências da vida moderna
Moacyr Scliar: O Senhor do Anel
Sumiço de Belchior
Sentir-se amado, de Martha Medeiros
Histórias de bichos e de livros
David Coimbra, o fusca e o frio
OS 100 ANOS DO GRE-NAL
O eu invisível
O Avião
Marias-gasolina, por Martha Medeiros
O bem e o mal da internet
A língua em todas as disciplinas
A formação do cidadão
A mentira liberdade
O bom professor
O papel da escola e dos pais
O que ensinar nas aulas de Português
Beijo na boca de Martha Medeiros
Neocaipiras - de L F Verissimo
Consumismo e solidariedade no Natal
Como lidar com o diferente
Solidariedade e egoísmos
Os talentos em sala de aula
Os casamentos na praça dos livros
A maldição da norma culta
O curso de datilografia
Os pais são os culpados
Papéis invertidos
Professor de qualidade para todos
Pense nos seus professores
Uma vida de presente
Alma galponeira e peregrina
Educação ou dissecação?
Mais sombra e menos água fresca
A neutralidade como dever
As três irmãs
A vírgula - por Martha Medeiros
Avaliação não é ameaça
Somos sempre aprendentes
A reforma ortográfica
Humor: filho estudante escreve p/ pais
Crônica do amor, por Arnaldo Jabor
Remendar por não prevenir
Meu zeloso guardador
Não sorria, você está sendo filmado
A síndrome da notícia ruim
Mulheres do século XXI
Quase
A professora e a justiça
O universitário e o frentista
 
Roger Tavares - Todos os direitos reservados © Desenvolvido por iPoomWeb