39551  ACESSOS

CRÔNICA

 

Formar o cidadão começa em casa

 

por Luiz Artur Ferraretto -  Jornalista e professor da Univ. de Caxias do Sul

 

          Quando uma professora é agredida de forma bárbara e sem remorso por uma aluna, como neste início de semana em Porto Alegre, é fundamental repensar como a sociedade brasileira vê o ensino, aquele das escolas, e a educação, fruto de todos. O relato de quem bate não justifica uma agressão que chega ao traumatismo craniano. Apenas expõe o tipo de relação estabelecida por parte dos jovens e do contexto em que vivem com o conhecimento. É um desprezo dos ignorantes, dos que não conseguem ver no saber e no esforço para obtê-lo, um caminho. É culpa deles apenas?

         A resposta passa por várias instâncias da sociedade.


         Uma é a familiar. Sem embasamento, com pais transferindo a educação dos filhos como cidadãos para as escolas, cabe ao professor estabelecer parâmetros. Quem dá aula, independentemente do nível, depara por vezes com pais que, a exemplo dos personagens de conhecida telenovela, veem do filho só as qualidades. O mundo externo àquele círculo dedica-se a persegui-lo. E eles, os pais, a defendê-lo. Criam uma realidade à parte, de fato, uma fantasia de realidade.


         Já em certas instituições de ensino, negócios mais do que ambientes didáticos, fala-se em produtividade do docente, o que significa aprovar de forma indiscriminada. É um pecado mortal dizer que o aluno está errado, tem dificuldades de aprendizado ou apresenta desinteresse. Neste último caso, ao professor cabe, qual showman, resolver o problema. Caso contrário, pode até perder o emprego. Constitui-se em lógica da qual não foge nem o poder público, com políticas educacionais prevendo um ensino sem repetência.


         E, então, especificamente as autoridades governamentais? Valorizam em campanhas publicitárias, não raro, as celebridades e esquecem as figuras históricas. Vivem, independentemente dos partidos no poder, das estatísticas com predomínio da quantidade sobre a qualidade. Raro é quando criam políticas de longo prazo. Frequente é quando o novo administrador público de plantão abandona a política educacional, de longo prazo e positiva, por não ser a do seu governo, mas a do outro, a do anterior, a do opositor.


          Quando uma professora é agredida e o agressor é seu aluno, sem remorso ou peso na consciência, cheio de certezas, vê-se que a ignorância, ao contrário do conhecimento, constitui-se em realidade infinita. E democrática. Atinge, neste momento, uma sociedade por inteiro. Não é a do Rio Grande do Sul apenas. É a brasileira, que, deste modo, se arrasta em seu subdesenvolvimento e, sem apostar em todas as instâncias sociais na educação e no ensino, arrisca-se a enfrentar os séculos assim.

 

Fonte: ZERO HORA

 

 

Dentro de um abraço, de Martha Medeiros
Espelho mágico
Ele é mesmo imortal
Pastelzinho de amanhã
Tribo nossa de cada idade
Viagem intergaláctica
Quindim e merengue
Cria Atividade
A tristeza permitia de Martha Medeiros
Tratado sobre a paixão literária
O bate-estaca do Chevettão 75
Francamente, senhor Wilde
Tragédias anunciadas
Brincando de Blog
Coitadinhos dos nossos ouvidos
O amor deixa muito a desejar, por Jabor
Garota de Subúrbio
Tiririca da vida?
Para se roubar um coração
Saudade nenhuma de mim
O futebol e os brasileiros
Por uma vida sustentável
Alunos apáticos, escola idem.
Os desafios da biblioteca na nova escola
35 Anos para Ser Feliz
Complexo de Guaipeca, por Carpinejar
A falta que ela me faz
Lya Luft e o ano de pensar
A elegância do comportamento
Um homem que educava pelo exemplo
Antes que a Feira do Livro desapareça!
A Última Crônica
Uma homenagem aos professores
Dos oito aos oitenta
Mais uma de Arnaldo Jabor
Curiosidades sobre o Rio Grande do Sul
Algumas piadas para adoçar a vida!
Exigências da vida moderna
Moacyr Scliar: O Senhor do Anel
Sumiço de Belchior
Sentir-se amado, de Martha Medeiros
Histórias de bichos e de livros
David Coimbra, o fusca e o frio
OS 100 ANOS DO GRE-NAL
O eu invisível
O Avião
Marias-gasolina, por Martha Medeiros
O bem e o mal da internet
A língua em todas as disciplinas
A mentira liberdade
O bom professor
O papel da escola e dos pais
O que ensinar nas aulas de Português
Beijo na boca de Martha Medeiros
Neocaipiras - de L F Verissimo
Consumismo e solidariedade no Natal
Como lidar com o diferente
Solidariedade e egoísmos
Os talentos em sala de aula
Os casamentos na praça dos livros
A maldição da norma culta
O curso de datilografia
Os pais são os culpados
Papéis invertidos
Professor de qualidade para todos
Pense nos seus professores
Uma vida de presente
Alma galponeira e peregrina
Educação ou dissecação?
Mais sombra e menos água fresca
A neutralidade como dever
As três irmãs
A vírgula - por Martha Medeiros
Avaliação não é ameaça
Somos sempre aprendentes
A reforma ortográfica
Humor: filho estudante escreve p/ pais
Crônica do amor, por Arnaldo Jabor
Tive uma idéia!
Remendar por não prevenir
Meu zeloso guardador
Não sorria, você está sendo filmado
A síndrome da notícia ruim
Mulheres do século XXI
Quase
A professora e a justiça
O universitário e o frentista
 
Roger Tavares - Todos os direitos reservados © Desenvolvido por iPoomWeb