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CRÔNICA

 

Educação ou dissecação?

por Valdo Barcelos, professor e escritor - UFSM

 

     Um jovem escreveu, certa vez, para o escritor peruano Mario Vargas Llosa querendo saber sua opinião sobre os críticos e como se portar diante deles. O que mais angustiava o jovem, pretendente a escritor, era o fato de os porta-vozes dos cânones acadêmicos insistirem em separar tema, estilo, ordem, pontos de vista etc. Em resposta, Mario Vargas Llosa sugere que o que acabam esses funcionários fazendo é um processo de dissecação. O grande crime, para Llosa, é que nesse caso os críticos inventam uma infinidade de nomes, conceitos e categorias para definir aquilo que os leitores e leitoras identificam com a maior facilidade e sem nenhuma preocupação: a busca pela beleza de uma obra e o prazer proporcionado pela leitura. Com esta atitude, o que esses representantes da inquisição canônica acabam fazendo é, nada mais, nada menos, que a dissecação de um corpo vivo: o texto literário. Estariam cometendo, segundo ele, um homicídio.

     Após ler essas reflexões de Vargas Llosa, não pude deixar de pensar no que, muitas vezes, fazemos na educação. Não estou defendendo o fim dos estudos e pesquisas sobre as diferentes disciplinas e áreas de conhecimento que compõem o processo educativo escolar. Não estou querendo acabar, muito menos diminuir, a importância destas disciplinas e áreas de conhecimento para o processo educativo. Os estudos e pesquisas disciplinares podem contribuir para ampliar nosso entendimento sobre os desafios cotidianos que enfrentamos em nossos espaços educativos escolares. No entanto, para isto, há que se ter o bom senso e o cuidado de não esquecer algo que me parece elementar: estamos lidando, na educação, não com cadáveres, mas, sim, com seres vivos. No caso em questão, com crianças, com adolescentes ou adultos.

     No entanto, somos ainda prisioneiros, na educação, de teorias arcaicas e de práticas em que o que predomina é a idéia de separação, de isolamento, de memorização e de identificação para posterior análise. Aqui reside minha relação entre o que grande parte das vezes fazemos em nossas práticas educativas e o que adverte o romancista Mario V. Llosa. Enquanto na crítica literária alguns insistem em separar o inseparável – tema, estilo, ordem, pontos de vista –, na educação buscamos obstinadamente separar os alunos dos professores, os currículos das práticas didáticas e metodológicas, enfim, a história da geografia, a matemática da língua portuguesa, a biologia da filosofia etc. etc.

     Nos esquecemos que a educação do ser humano, para ter sentido, precisa estar intimamente ligada ao seu processo de existência. Ao fluir de seu viver. Ou seja: com sua vida. Deixo uma pergunta que me inquieta: não residiria aí grande parte da perda da beleza da educação e, conseqüentemente, de nossos fracassos educacionais?

 

(fonte: Zero Hora)

 

 

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